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Inês de Castro
 
 
Rei D. Pedro I


Foi no ano de 1360, que os reis de Portugal e Castela (agora Espanha) fizeram um acordo que iria ter repercussões a nível da sua popularidade junto aos seus súbditos nos dois países.
Em Portugal reinava D. Pedro I, e em Castela também o rei tinha o mesmo nome e eram primos os dois reis, quando resolveram infringir as promessas feitas e proceder á troca de criminosos que se tinham refugiado nos seus respectivos países em fuga á justiça do país vizinho.
Dirão certamente que era justo, e ninguém pode afirmar o contrário, apenas D. Pedro I de Portugal tinha prometido ao seu pai D. Afonso IV, falecido há três anos, que não se vingaria e tinha perdoado aos assassinos de Inês de Castro.
Mas a ferida não se tinha fechado no seu peito, nem tal seria alguma vez possível, sabemos agora, que nem em vida e nem depois da morte de ambos.
Assim, naquele dia no seu paço real em Santarém, que desde o tempo de seu pai, era a capital do reino, esperava impaciente notícias da embaixada que se tinha deslocado até á fronteira do país vizinho para proceder á troca dos fidalgos espanhóis que tinha acolhido e que agora entregava á justiça de seu primo, em troca dos responsáveis apontados como os assassinos da mãe de seus filhinhos, agora órfãos.
 
O paço real tinha sido edificado junto á porta de Leiria, por onde se entrava na capital, chegando do norte do país, dos territórios outrora conquistados por seus avós, e dessa linda cidade de Coimbra, onde repousava a sua amada amortalhada, e as lágrimas choradas tingidas de sangue tinham originado nascentes cujo leito seria para sempre rubro como o sangue derramado de uma inocente amante.
Saudade, essa palavra que desde esse dia 7 de Janeiro de há cinco anos, tinha um significado pungente de raiva, amargura e eterna dor no seu peito, uma solidão, um vazio que nunca seria preenchido até ao dia do Juízo Final e que para sempre iria exprimir o sentimento de todo um povo.
I Capítulo – A aia da rainha


 
D. Inês de Castro


Tinha sido há vinte anos atrás, quando a pobre rainha D. Constança tinha chegado ao reino, em resultado de acordos reais, destinada a ser a sua esposa e a mãe do príncipe herdeiro do trono de Portugal, que tinha cruzado pela primeira vez o seu negro olhar com aquele outro verde e luminoso que sem temor sustentou o seu.
Era o dia do seu casamento e ao subir as escadarias da Sé Real, ao encontro da sua noiva que sem vontade iria desposar para cumprir a vontade do seu severo pai, o Rei D. Afonso IV, a sua vista foi atraída pela bela aia de sua noiva, de cabelos louros que lhe caíam graciosamente em cachos derramados pela altiva cabeça e emolduravam o esbelto pescoço, que sobressaía de um busto donairoso a que o corpete de alvo linho modelava em formas expressivas.
O seu nome era Inês de Castro e era filha bastarda de um nobre fidalgo espanhol e de uma senhora portuguesa com quem o senhor tinha tido um caso amoroso.
Quando a bela donzela ousou levantar o olhar curioso para olhar o príncipe português, um luminoso raio esmeralda desfechado em direcção certeira ao coração compungido de amores contrariados, do impetuoso príncipe, não passou despercebido aos fidalgos e curiosos reunidos e logo vozes sussurradas se ouviram agourando desgraça.
Efectivamente de regresso á corte reunida em Coimbra, a bela cidade residência real desde os tempos de D. Afonso Henriques, os murmúrios não se calaram, antes os apaixonados os alimentaram com os seus comportamentos que mesmo conhecedores da impossibilidade daquele amor, não faziam questão de esconder.
Vivendo no mesmo palácio, ocasiões não faltavam para se encontrarem, e os passeios pelas verdejantes e bucólicas margens do Mondego, eram constantes, e mesmo sabendo da impossibilidade daquele amor, pois que além do príncipe ser casado, eram os dois primos, parentesco que naqueles tempos impossibilitava uma relação mais íntima, considerada incestuosa e contrária ás leis da Igreja, em breve era conhecida de todos no paço e alastrando pelas vilas e aldeias do reino, que D. Pedro e D. Inês de Castro, mantinham uma relação de amantes, imoral e ilícita.

 


Casamento Secreto


Enquanto os dois apaixonados viviam o seu amor indiferentes a tudo, a pobre rainha legítima esposa, D. Constança, deu á luz o seu primeiro filho a quem chamarão D. Fernando, e que irá herdar o trono.
Aconselhada pelas suas damas, resolveu convidar para madrinha, D. Inês de Castro, que além de dos factos já explanados, ficaria assim com mais um laço de parentesco que naqueles tempos, reforçava a proibição, próxima do incesto, daqueles laços de amor entre os dois amantes.
Ao ouvidos do velho Rei D. Afonso IV, também já tinham chegado os rumores daquele amor proibido e a solução encontrada, foi desterrar a apetecida amante do príncipe para o lado de lá da fronteira espanhola, no castelo de Albuquerque, junto á raia alentejana, longe do seu amor, para assim promover o esquecimento daquele afecto escandaloso.
No entanto, continuaram a trocar correspondência sendo as cartas transportadas pelos almocreves, os negociantes daqueles tempos que iam de terra em terra, vendendo azeite e outros produtos da lavoura e eram os correios secretos, para o Rei não ter conhecimento que as suas ordens não eram inteiramente cumpridas.
Entretanto a rainha definhava com falta de amor, e preocupações crescentes, enquanto o príncipe se ausentava nas suas caçadas pelos montes e promovia touradas junto ao mar em Peniche, para matar o vazio sentido pela ausência de quem amava mais que a si mesmo.
Até que ao dar á luz o seu terceiro filho, no ano de 1354, a pobre rainha enfraquecida pelos desgostos, morre, deixando livre o caminho para uma vida em comum aos dois amantes, pelo que o príncipe sem hesitar, de imediato manda vir a sua amada para junto de si, enquanto o seu pai, fica na corte em Lisboa e o seu filho herdeiro é criado fraco e débil junto aos avós.
Primeiro em Moledo, em seguida noutros locais, depois fixando residência no paço da Quinta de Santa Clara em Coimbra, os dois amantes gozam do seu amor intenso e da sua felicidade descuidada, sem pensarem que o seu amor teria um preço demasiado alto a pagar em troca de tanta felicidade e paixão que já é abençoada com a presença dos seus três filhinhos, D. Afonso, D. Dinis e D. Beatriz, que nasceram sãos e perfeitos, ao contrário do débil príncipe herdeiro D. Fernando.

 
Julgamento de D. Inês


Assim, vão vivendo, indiferentes á opinião do rei e dos seus conselheiros, que vêm em D. Inês de Castro uma ameaça cada vez maior á independência do reino, devido á crescente influência da sua família junto a D. Pedro, já que seus irmãos eram fortes candidatos á coroa do país vizinho e tentavam influenciar o príncipe a juntar-se a eles na luta, que se fosse funesta aos seus interesses, podia arrastar o país para um guerra desastrosa e até para a perda da sua soberania.
Acresce o facto do príncipe D. Fernando, poder ser mandado assassinar para dar lugar aos filhos escorreitos e saudáveis de Inês, como os avisados conselheiros anteviam, com ou sem razão.
Então convencido pelos seus conselheiros, o velho Rei deixou-se persuadir que a única culpada de tudo era D. Inês e que a solução seria eliminá-la pela morte, apagando assim a sua influência junto ao príncipe.
Naquela triste manhã de 7 de Janeiro de 1355, estando D. Pedro ausente nas suas caçadas, o Rei D. Afonso IV e Pedro Coelho, Álvaro Gonçalves e Diogo Lopes Pacheco dirigiram-se a Coimbra e sem se deixarem comover pelo súplicas da pobrezinha que rodeada pelos seus filhinhos, pedia clemência, se não para ela, pelo menos para não deixar seus infantes órfãos, executaram a cruel sentença, da aplicação da qual no entanto, o Rei já hesitava, mas não teve forças para mudar o curso do destino.
Os conselheiros temendo a fúria de D. Pedro fugiram para Espanha e o príncipe louco de dor, revoltou-se contra o pai e acompanhado pelos irmãos de D. Inês, cercou a cidade do Porto onde este se encontrava, com o seu exército, jurando vingança contra o seu progenitor.
Valeu a intervenção da sua mãe a rainha, para promover a paz e o perdão entre os dois, mas apenas na aparência o pobre príncipe se aquietou, pois que dois anos depois quando sucedeu a seu pai no trono, por morte deste, logo começou a congeminar os planos da vingança que tinha arquitectado em longas noites insones, de lágrimas e negro desespero que moldaram o seu carácter de jovem apaixonado e justo, em um rei cruel que aplicava a justiça aos seus súbditos como se todos fossem culpados da dor que lhe dilacerava o peito, como consta nas crónicas daquele tempo e que chegaram aos nossos dias, para relataram as lutas e vinganças do pobre príncipe louco e desesperado.
IV Capítulo – A vingança do Rei

 
Morte de D. Inês


Assim quando no início do ano de 1361 chegaram finalmente a Santarém, dois dos assassinos da sua sempre chorada amante, Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves, já que o terceiro avisado por um mendigo que seria procurado ao voltar a casa na cidade espanhola onde vivia, fugiu para França disfarçado de mendigo e assim escapou á sentença de morte contra si jurada por D. Pedro, El-Rei saiu ao encontro da comitiva que trazia sob prisão os dois odiados conselheiros.
Consta que um deles, Pedro Coelho teria sido até seu professor e aio de criação, pelo que os laços que os uniam eram fortes e íntimos, o que talvez apenas servisse para refinar mais a mágoa e o ódio ilimitado do agora Rei D. Pedro.
Começou por os interrogar sobre os motivos da morte de Inês, mas como nada conseguisse saber, além daquilo que era já por demais conhecido, sobre as razões patrióticas invocadas, teria pedido ao seu cozinheiro:
- Trazei-me azeite, cebola e vinagre que vou comer este coelho!
Então ordenou a sua morte, mas com tal crueldade que a um mandou que lhe fosse retirado o coração pelas costas e a outro pelo peito, pois que a pessoas sem coração como eles de nada lhes servia!
Em seguida mandou o seu cozinheiro preparar e servir-lhe os corações e levou a dor ao extremo de os trincar num acesso de raiva e dor sem limites pela perda da sua amada Inês!
Depois mandou queimar os cadáveres e ainda lançou uma maldição sobre a terra natal de Pedro Coelho que mandou salgar, para ficar para sempre estéril!
Estes acontecimentos tiveram lugar em Santarém, no paço real onde mais tarde sobre as suas ruínas, foi construído um convento e Igreja que ainda existem e que serviram para Colégio, ou Seminário de formação de padres, pelo que hoje se chama a Igreja do Seminário bem como o largo em frente, e alguns vestígios do antigo paço real ainda se conservam no seu interior, nomeadamente o postigo em pedra, da sacada onde recostado D. Pedro teria assistido ao macabro espectáculo.



 
Túmulo de D.Inês


Seguidamente D. Pedro apresentou testemunhas de que teria casado secretamente com D. Inês que assim seria sua esposa legítima, assim como os seus filhos legalizados por tal união teriam os mesmos direitos dos outros filhos nascidos do casamento com D. Constança.
Mandou construir um magnífico túmulo em fina pedra lavrada que foi colocado no Mosteiro de Alcobaça, mandado erigir pelo seu antepassado D. Afonso Henriques em cumprimento de uma promessa sobre a reconquista de Santarém aos mouros, e ordenou que D. Inês fosse retirada da sua campa, e coroada rainha e perante toda a corte reunida, obrigou a que todos lhe prestassem vassalagem beijando-lhe a mão, e reconhecendo-a legítima rainha de Portugal.
Um impressionante cortejo fúnebre se formou e acompanhou-a ao longo de vilas e aldeias até ao Mosteiro de Alcobaça, onde foi finalmente sepultada aquela que depois de morta foi rainha, como a descreveu Camões nos imortais Lusíadas.
Sete anos mais tarde, D. Pedro juntou-se á sua amada, quando da sua morte, tendo sido sepultado no outro túmulo que para si havia também mandado talhar e que ficou de frente para o de Inês, para que segundo suas ordens, quando ressuscitassem no dia do Juízo Final, ao erguerem-se pudessem de imediato ver-se.
Nos dez anos do seu reinado, D. Pedro não voltou a casar, sofria de insónias terríveis que tentava colmatar com festas nocturnas pelas ruas de Lisboa, acompanhado do povo de quem era querido e amado.
Um dos seus maiores prazeres era fazer aplicar a justiça, fosse quem fosse o faltoso, de ninguém tinha misericórdia, tal como não tinham tido com a sua Inês, por isso ficou conhecido como D. Pedro I, o Justiceiro ou Cru.
 
Arlete Piedade
Santarém - Portugal
16/09/2006

 

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Ó flor que em mim nasceste sem abrolhos,
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Desde que em mim nasceste em noite calma,
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Eu tô tentando
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até fosse mais inteligente. Porém, quis ter engenho
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(Fiodor Dostoievski)

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.
No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares,
em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado."
(William Shakespeare)

"A maioria das gentes vive de convicções e não de idéias.É uma sorte. O homem de idéias pode por isso mesmo vir a abandoná-las honestamente por outras,mas o homem de convicções, nunca! O que não deixa de ser um azar. Pois sendo as mesmas inabaláveis convicções que movem este mundo, o resultado é esse eterno desconcerto."
(Mario Quintana)

"A arte é a mentira que nos permite conhecer a verdade"
(Pablo Picasso)

"Tem horas em que, de repente, o mundo vira pequeninho, mas noutro de repente ele já torna a ser demais de grande , outra vez. A gente deve esperar o terceiro pensamento"
(Guimarães Rosa)

" É preciso trabalhar todos os dias pela alegria geral.É preciso
aprender esta lição todos os dias e sair pelas ruas cantando
e repartindo, a mão cristalina, a fronte fraternal."
(Thiago de Mello)

"Amizade é quando o silêncio a dois se torna
incômodo. Amor é quando o silêncio a dois se torna cômodo"
(Mario Quintana)

"Quem não é capaz de entender o silêncio de um
amigo também nunca há de compreender suas palavras.
Escutar é muito mais difícil do que falar e olhar."
(Piet Van Breemen)

"A perda de contato com a natureza acompanha a
perda do senso de si mesmo."
(Rollo May)

"O futuro é uma espécie de Banco ao qual vamos remetendo, um a um, os cheques de nossas esperanças.Ora, não é possível que todos os cheques sejam sem fundo!"
(Mario Quintana)

"O segredo da arte - e o segredo da vida - é seguir o seu próprio nariz.Não deixes que outros lhe ponham argola.Sim, é verdade que há narizes tortos, uns para a esquerda, outros para a direita... Não perca tempo, telefone ao Pitanguy.Um verdadeiro nariz conduz para a frente."
(Mario Quintana)

"Vivemos conjungando o tempo passado (saudade, para os românticos) e o tempo futuro (esperança, para os idealistas). Uma gangorra, como vês, cheia de altos e baixos - uma gangorra emocional. Isto acaba fundindo a cuca de poetas e sábios e maluquecendo de vez o homo sapiens.Mais felizes os animais, que, na sua gramática imediata, apenas lhes sobra um tempo: o presente do indicativo. E que nem dá tempo para suspiros..." (Mario Quintana)

"Saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de quilômetros. A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e palavras. Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, se preocupa quando as coisas não estão dando certo, coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e dá uma sacudida em você quando for preciso" (Mario Quintana)

"Os sonhos têm luz própria,uma luz que não vem de nenhum sol, de nenhuma lua, de nenhum foco. Está em toda parte.Na próxima vez que sonhares, procura ver se o teu vulto projeta alguma sombra. E se a tua imagem se reflete nalgum espelho. Tolice minha! Nos salões do sonho nunca há espelhos... " (Mario Quintana)

"...Neste mundo, que tanto mal encerra,não basta saber amar,mas também saber odiar,não só servir a paz, mas também ir para a guerra.Seguiremos assim o próprio exemplode Jesus, que tanto amor pregou na Terra...,quando Ele,num ímpeto de cólera,a relhaço expulsou os vendilhões do templo!" (Mario Quintana)

"Enquanto dois peixes, dois pássaros, dois homens,fizerem do sonho, o sonho de vários peixes, vários pássaros,vários homens; permanecerá vivo o sonho de solidariedade entre os homens." (Lindolf Bell)

" A solidão não nos condena, não nos culpa, não nos cobra. Antes, nos redime e nos realimenta. E ,nos momentos em que nos visita, recupera-nos em identidade com todo vento que sopra, todo riacho que murmura, toda luz que enternece. A solidão é isto: a lembrança de um outro mundo, um universo que acontece." (Fernando Campanella)

Passam os séculos, os homens, as repúblicas, as paixões; a história faz-se dia por dia, folha a folha; as obras humanas alteram-se, corrompem-se, modificam-se, transformam-se. Toda a superfície civilizada da terra é um vasto renascer de coisas e idéias.” (Machado de Assis)

..." Minha teoria é de que nossos erros são as únicas coisas originais que fazemos"... (Billy Joel)

O mais profundo é a pele (Paul Valéry)

Descobri que a leitura é uma forma servil de sonhar. Se tenho de sonhar, por que não sonhar meus próprios sonhos? (Fernando Pessoa)


"O homem é livre; mas ele encontra a lei na sua própria liberdade"
(Simone de Beauvoir)


"Partindo de uma liberdade ilimitada chega-se a um despotismo sem limites"
(Fiodor Dostoievski)


"As oportunidades do indivíduo não as definiremos em termos de felicidade, mas em termos de liberdade"
(Simone de Beauvoir)

Experiência é simplesmente o nome que os homens dão aos seus erros. (Oscar Wilde)

É absurdo dividir as pessoas em boas e más. Ou elas são interessantes ou são chatas. (Oscar Wilde)

Trate as pessoas como se elas fossem o que poderiam ser e você as ajudará a se tornarem aquilo que são capazes de ser (Goethe)

As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho (Mario Quintana)

O importante não é o que fizeram de nós, mas o que fazemos do que fizeram de nós. (Sartre)

A vida não vale nada se você não tem uma boa história para contar. (Claufe Rodrigues)

"Aprendi que um homem só tem o direito de olhar para o outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se."(Gabriel Garcia Marquez)

«Para serem amigas, duas pessoas deverão ser capazes de dar felicidade uma à outra» (Johan Christoph Gottsched)

"A subtileza do pensamento consiste em descobrir a semelhança das coisas diferentes e a diferença das coisas semelhantes" (Baron de Montesquieu)

"A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente." (Kierkegaard)

"Os nossos melhores homens são objecto de burla nesta terra de pesadelo" (Jack Kerouac)

"O silêncio do invejoso está cheio de ruídos" (Khalil Gibran)

"Todos os governos partem do pressuposto de que o escritor é um presumível herege" (Camilo Cela)

"O mais triste é que a única coisa que se pode fazer durante oito horas por dia é trabalhar" (William Faulkner)

"Amar é mudar a alma de casa." (Mário Quintana)

"Cada qual sabe amar a seu modo, o modo pouco importa; o essencial é que saiba
amar". (Machado de Assis)

" O que sentimos, não o que é sentido, é o que temos. Claro, o inverno estreita.
Como à sorte o acolhamos. Haja inverno na terra, não na mente, e amor a amor, ou
livro a livro, amemos nossa lareira breve." (Ricardo Reis)

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser
vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata." (Clarice Lispector)

"O amor é a lei da vida, a razão única da existência" (Machado de Assis)

" Que o amor seja o único tema de nossos corações" (Goethe)

"Existem muitos motivos para não amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la"
(Carlos Drummond de Andrade)

"Não se julga a quem se ama. O amor que não é cego, não é amor" (Honoré de Balzac)

"A ausência diminui as pequenas paixões e aumenta as grandes, da mesma forma que
o vento apaga a vela e atiça a fogueira" (François de la Rochefoucault)

"As paixões são como o vento inflando as velas dos barcos. Podem até fazê-los
naufragarem, mas se não fosse ele, não haveriam passeios, aventuras e
descobertas" (Voltaire)

"Se as paixões e os sonhos não pudessem criar novos tempos, a vida seria um
engano" (Legrand)

"Pior do que a ausência do amor, é a lembrança do amor" (Lygia Fagundes Telles)

"Ah! Não me fales nada: antes me fala de tal maneira, que, se eu fora surdo, te
ouvisse todo como coração" (Fernando Pessoa)

"Quem nunca desejou morrer com o ser amado nunca amou, nem sabe o que é amar"
(Nélson Rodrigues)

"A idade não protege contra o amor. Mas, o amor, em certa medida, protege contra
a idade" (Jeanne Moreau)

"Coração cresce de todo lado. Coração vige feito riacho colominhando por entre
serras e varjas, matas e campinas. Coração mistura amores. Tudo cabe". " (João
Guimarães Rosa)

"O amor, que é a primeira das artes da paz, pode-se dizer que é um duelo, não de
morte, mas de vida". (Machado de Assis)

Quem não estiver familiarizado com o sublime , sente o sublime como inquietante e falso. (Friedrich Nietzsche)

Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda ,
sabendo bem que eras nuvem . . .depus a minha vida em ti ...!
Como sabia bem tudo isso , e dei-me ao teu destino frágil ...
e fiquei sem poder chorar, quando caí . ! (Cecilia Meireles)

...Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...
E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar... (Florbela Espanca)

Tudo por um poder imortal,
aqui e além,
às escondidas
ligado entre si está,
Não podendo uma flor ser colhida
sem que uma estrela se agite. (Francis Thompson)

Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema ,
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter.
Intuito de amor , de amor não compreendido .
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido. (Natália Correia)

Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti. (Alexandre O´Neill)

Um nome,
um nome apenas, evocando alguém,
um lugar ou uma coisa, é a bagagem suficiente
para avançar pela noite dentro, esperar a morte,
ou iniciarmos o regresso... (Al Berto)

Um poeta é um rouxinol que se senta na escuridão, e canta para se confortar da
própria solidão com seus próprios sons. Seus ouvintes são homens arrebatados
pela melodia de uma musica invisível, que se sentem comovidos e em paz, ainda
que não saibam como nem e o porquê. (Percy Bysshe Shelley)

Procuro a poesia certa, como uma roupa na medida exata, para vestir a minha alma
nua. (Byafra)
 
Se tu vens às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz.
(Exupery)
 
Sou entre flor e nuvem. Por que havemos de ser unicamente humanos? (Cecília
Meireles)
 
Nada tenho a ver com não gostar de mim. Me aceito impura, me gosto com pecados,
e há muito me perdoei. (Martha Medeiros)
 
Sou um mestre na arte de falar em silêncio. Toda a minha vida falei calando-me e
vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra. (Fiódor
Dostoiévski)
 
Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira.
(Cecília Meirelles)
 
Fossemos infinitos, tudo mudaria... Como somos finitos muito permanece.
(Bertold Brechet)
 
Escreverás meu nome com todas as letras, com todas as datas, e não serei eu.
Repetirás o que me ouviste,o que leste de mim, e mostraras meu retrato, e nada
disso serei eu. Dirás coisas imaginárias,invenções sutis, engenhosas teorias, e
continuarei ausente, Somos uma difícil unidade, de muitos instantes mínimos,
isso serei eu. (Cecília Meireles)
 
Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração,
só não se perca de mim. (Caio Fernando Abreu)
 
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram." (Álvaro de
Campos)
 
Então, pintei de azul os meus sapatos por não poder de azul pintar as ruas...
(Carlos Pena Filho)
 
Agora que o silêncio é um mar sem ondas, e que nele posso navegar sem rumo, não
respondas às urgentes perguntas que te fiz. Deixa-me ser feliz assim, já tão
longe de ti como de mim... (Miguel Torga)

Às vezes penso que se fosse uma magnólia quereria ser um laranjeira, se fosse um águia quereria ser um cavalo ou se fosse um quadro quereria ser uma fotografia. Esqueço-me que devo ser o que sou. Pela evidência de ser o único que tenho e posso ser e, porque, só quando gostar disso é que posso tocar a felicidade e passá-la.
Fico a pensar que perdemos demasiado tempo em querer dar laranjas, em galopar velozmente ou em ser o flash de um instante supremo. Quando, na verdade, o que podemos fazer é chegar a dar muitas e belas flores, voar cada vez melhor ou tornarmo-nos até num Rembrandt.
Cada qual deve acabar por pegar na própria vida nos braços e beijá-la'. (Arthur Miller)

Salve meu Pai Oxalá. Senhor do branco, pai da luz. Senhor absoluto do universo, toda criação te saúda : êpa babá. Pai do misericórdia. Daí-me, Senhor , a paz o vigor e o rumo, mas meus caminhos. Oxalá, meu Senhor, faz minha casa feliz e daí-me as bênçãos da propriedade. Obrigado meu Deus, meu Senhor, meu Pai. ÊPA BABÁ!

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Lenda das Sereias

Marisa Monte

Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar

Mar, misterioso mar
Que vem do horizonte
É o berço das sereias
Lendário e fascinante

Olha o canto da sereia
Ialaó, oquê, ialoá
Em noite de lua cheia
Ouço a sereia cantar
E o luar sorrindo
Então se encanta
Com as doces melodias
Os madrigais vão despertar

Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia
Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia

Toda a corte engalanada
Transformando o mar em flor
Vê o Império enamorado
Chegar à morada do amor

Oguntê, Marabô
Caiala e Sobá
Oloxum, Ynaê
Janaina e Yemanjá
São rainhas do mar

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